terça-feira, 9 de fevereiro de 2010


"- As pessoas que não possuem vida própria têm sempre de se meter na dos outros - resmungou Fermín. - De que é que estávamos a falar?
- Da minha falta de tomates.
- Efectivamente. Um caso crónico. Oiça o que eu lhe digo.Vá procurar a sua pequena, que esta vida são dois dias, especialmente a parte que vale a pena viver. Bem viu o que o padre dizia. Tão depressa me vês como não me vês.
- Mas é que ela não é a minha pequena.
- Pois ganhe-a antes que outro a leve, especialmente um soldadinho de chumbo.
- Fala como se a Bea fosse um troféu.
- Não, como se fosse uma benção - corrigiu Fermín. - Olhe Daniel. O destino costuma estar ao virar da esquina. Como se fosse um gatuno, uma rameira ou um vendedor de lotaria: as suas três encarnações mais batidas. Mas o que não faz é visitas ao domicílio. É preciso ir atrás dele."

in A sombra do Vento de Carlos Ruiz Zafón

4 comentários:

  1. os livros são espelhos: só se vê neles o que a pessoa tem dentro.

    ms

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  2. ou entao trazem para dentro de nós coisas que desconheciamos.....ou então mostram-nos aquilo que não somos, mas gostavamos de ser....ou entao são um espelho....ou entao mostram-nos os outros como nunca os vimos... ou então relembram-nos as lições esquecidas....ou então acordam-nos...ou adormecem... ou entao.....

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  3. Os livros têm 2 almas: a de quem escreve e a de quem as lê. Vejo que gostaste do livro...

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